
A musa inspiradora para a protagonista deste romance foi a Lili Caneças, mas desengane-se que julgar que existem semelhanças na vida de ambas.
Laura Monteiro é uma das mulheres mais ricas de Portugal. Absolutamente infeliz no casamento, que tenta abstrair-se das depressões que tem frequentemente trabalhando como produtora de moda em sessões fotográficas.
Como é esperado por todos, Laura está sempre impecavelmente bem vestida e calçada, preferencialmente de Givenchy, Dior, Lacroix, Valentino ou Ungaro. Abomina a ideia de ter de repetir a mesma roupa duas vezes e só em raras excepções o faz. Por vezes, nem veste algumas das roupas que compra ou que lhe oferecem. Quando termina uma saison, apenas as peças de Alta Costura, ou algumas de prêt-à-porter efectivamente significativas, são enviadas para um museu que a própria fundou no Porto. As restantes são enviadas para diferentes instituições. Quanto tal acontece é um verdadeiro alvoroço entre as funcionárias da revista. É uma correrria descoordenada para informar os amigos de gesto tão nobre e caridoso, que de imediato correm aos locais, sabendo que há freiras oportunistas que exigem contribuições. Pois para vestirem aquelas roupas tão finas e luxuosas pobres não poderiam ser.
Excerto de a última palavra
